domingo, 8 de maio de 2011
Paulo Malafaia e o samba de Heráclito
terça-feira, 27 de março de 2007
Questões de Vestibular: Pré-socráticos Heráclito e Parmênides
1) (UFU-1ª Fase Janeiro de 1999)Parmênides de Eléia, filósofo pré-socrático, sustentava que
I- o ser é.
II- o não-ser não é.
III- o ser e o não-ser existem ao mesmo tempo.
IV- o ser é pensável e o não-ser é impensável.
Assinale
A) se apenas I, III e IV estiverem corretas.
B) se apenas I, II e III estiverem corretas.
C) se apenas II, III e IV estiverem corretas.
D) se apenas I, II e IV estiverem corretas.
E) se todas as afirmativas estiverem corretas.
2) (UFU- 1ª Fase Janeiro de 1999)Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, compreendia que
II- o vir-a-ser é a luta entre os contrários.
III- a luta entre os contrários é o princípio de todas as coisas.
IV- da luta entre os contrários origina-se o não-ser.
Assinale
A) se apenas I, II e III estiverem corretas.
B) se apenas I, III e IV estiverem corretas.
C) se apenas II, III e IV estiverem corretas.
D) se apenas I, II e IV estiverem corretas.
E) se todas as afirmativas estiverem corretas.
3) (UFU_Setembro de 2002)
“Só resta o mito de uma via, a do ser; e sobre esta existem indícios de que sendo não gerado é também imperecível, pois é todo inteiro, inabalável e sem fim; nem jamais era nem será, pois é agora todo junto, uno, contínuo (…)” Sobre a Natureza, 8, 2-5
A partir deste trecho do poema de Parmênides, é possível afirmar que
A) a continuidade, a geração e o imobilismo estão presentes na via do ser.
B) o ser, por não poder não ser, não é gerado nem deixa de ser, não tendo princípio nem fim.
C) a via do ser é aquela percebida pelos nossos sentidos.
D) o ser, para o autor, de certo modo não é, pois nunca foi no passado nem será no futuro.
4) (UFU-Julho de 2003 1ª Fase ) “Só é possível pensar e dizer que o ente é, pois o ser é, mas o nada não é; sobre isso, eu te peço, reflita, pois esta via de inquérito é a primeira de que te afasto; depois afasta-te daquela outra, aquela em que erram os mortais desprovidos de saber e com dupla cabeça, pois, no peito, a hesitação dirige um pensamento errante: eles se deixam levar surdos e cegos, perplexos, multidão inepta, para quem ser e não ser é considerado o mesmo e não o mesmo, para quem todo o caminho volta sobre si mesmo”.
Parmênides, Sobre a Natureza, 6, 1-9.
Sobre este trecho do poema de Parmênides, é correto afirmar que
I - só se pode pensar e dizer que o ser é.
II - para os mortais o ser é considerado diferente do não ser.
III - é possível dizer o não ser, embora não se possa pensá-lo.
IV - duas vias de inquérito devem ser afastadas: a do não ser e a dos mortais.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmações corretas.
A) II e III
B) II e IV
C) I e III
D) I e IV
5) (UFU-2000 2ª fase)"Para os que entram nos mesmos rios, correm outras e novas águas. (...) Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio".
(Heráclito. Pré-socráticos, Col. Os Pensadores, Abril Cultural, 1978)
"Necessário é dizer e pensar que só o ser é, e o nada, ao contrário, nada é: afirmação que bem deves considerar".
(Parmênides. Pré-socráticos. Col. Os Pensadores, Abril Cultural, 1978)
A partir dos fragmentos acima, estabeleça as principais diferenças entre as concepções do ser de Heráclito e de Parmênides.
6) (UFU 2ª Fase Março de 2002) “Ao Logos, razão e palavra do que sempre é, os homens são incapazes de compreendê-lo, tanto antes de ouvi-lo quanto depois de tê-lo ouvido pela primeira vez, porque todas as coisas nascem e morrem segundo este Logos. Os homens são inexperientes, mesmo quando eles experimentam palavras ou atos tais quais eu corretamente os explico segundo a natureza, separando cada coisa e explicando como cada uma se comporta. Enquanto isso os outros homens esquecem tudo o que eles fazem despertos assim como eles esquecem, dormindo, tudo o que eles vêem.”
Adaptado de HERÁCLITO. Pré-Socráticos. Coleção “Os Pensadores”. São Paulo: Abril Cultural , 1978. p. 79.
A partir do aforisma de Heráclito, responda às questões propostas:
A) Heráclito pode corretamente ser caracterizado como um filósofo empirista, cuja fonte de conhecimento se encontra nas sensações?
B) Qual é o fundamento permanente de todo conhecimento e quem, segundo o texto, corretamente o conhece e o enuncia?
Justifique as duas respostas com trechos do texto acima de Heráclito.
7) (UFU-Janeiro de 2004)
(HERÁCLITO. Sobre a natureza. Trad. de José Cavalcante de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 56. Coleção .Os Pensadores..)
Este fragmento ilustra bem o pensamento de Heráclito, que acreditou ser o mundo o eterno fluir, comparado a um rio no qual .entramos e não entramos.. Assinale a alternativa que explica o fragmento mencionado acima.
A) Todas as coisas estão em oposição umas com as outras, o que explica o caráter mutável da realidade. A unidade do mundo, sua razão universal resulta da tensão entre as coisas, daí o emprego freqüente, por parte de Heráclito, da palavra guerra para indicar o conflito como fundamento do eterno fluxo.
B) A harmonia que anima o mundo é aberta aos sentidos, sendo possível ser conhecida na multiplicidade daquilo que é manifesto, uma vez que a realidade nada mais é que o eterno fluxo da multiplicidade do Logos heraclitídeo.
C) A unidade dos contrários, a vida e a morte, é imóvel, podendo ser melhor representada para o entendimento humano por intermédio da imagem do fogo, que permanece sempre o mesmo, imutável e continuamente inerte, e não se oculta aos olhos humanos.
D) O arco, instrumento de guerra, indica que a idéia de eterno fluxo, das transformações que compõem o fluxo universal, é o fundamento da teoria do caos, pois o fogo se expande sem medida, tornado a realidade sem nenhuma harmonia ou ordem.
8) (UFU-Dezembro de 2004) Os fragmentos abaixo representam três temas fundamentais que configuram o pensamento de Heráclito de Éfeso.
“Por fogo se trocam todas (as coisas ) e fogo por todas, tal como por ouro mercadorias e por mercadorias ouro”. Frag. 90
A partir das citações acima:
A)Explicite quais são seus temas
B) Comente cada um deles de modo a caracterizar a filosofia de Heráclito
9) (UFU-Janeiro de 2004)
Parmênides (c. 515-
“Necessário é o dizer e pensar que (o) ente é; pois é ser,
e nada não é; isto eu te mando considerar.
Pois primeiro desta via de inquérito eu te afasto,
mas depois daquela outra, em que mortais que nada sabem
erram, duplas cabeças, pois o imediato em seus
peitos dirige errante pensamento; (...).”
PARMÊNIDES. Sobre a natureza. Trad. de José Cavalcante de Souza.São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 88. Coleção .Os Pensadores..
Analise as assertivas abaixo.
I . A opinião humana busca o que é (ser) naquilo que não é (ser).
II . O mundo dos sentidos é (ser), portanto, o único digno de ser conhecido.
III . Não se pode dizer .não-ser é., porque .não-ser. é impensável.
IV . Dizer .não-ser é não não-ser., é o mesmo que afirmar .não-ser não é..
Assinale a alternativa que contém as assertivas corretas.
A) I e III
B) II e III
C) II e IV
D) I e IV
10) (UFU Julho de 2004) O fragmento a seguir é atribuído a Heráclito de Éfeso:
“O mesmo é em (nós?) vivo e morto, desperto e dormindo, novo e velho; pois estes, tombados além, são aqueles e aqueles de novo, tombados além, são estes” HERÁCLITO. Sobre a natureza. Trad. de José Cavalcante de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 93. Coleção .Os Pensadores..
A) Não existe a noção de “oposto” no pensamento de Heráclito, pois todas as coisas constituem um único processo de mudança que expressa a concórdia e a harmonia do “fluxo” contínuo da natureza.
B) a equivalência de estados contrários com o mesmo exprime a alternância harmônica de pólos opostos, pela qual um estado é transposto no outro, numa sucessão mútua, como o dia e a noite. Todas as coisas são “Um”, toda a multiplicidade de opostos constitui uma unidade, e todos os seres estão em um fluxo eterno de sucessão de opostos em guerra.
C) Se o morto é vivo, o velho é novo, e o dormente é desperto, então não existe o múltiplo, mas apenas o “Um”, como verdade profunda do mundo. A unidade primordial é a própria realidade da physis, e a multiplicidade, apenas aparência.
D) a alternância entre pólos opostos constitui um fluxo eterno, regido pela “guerra” e pela discórdia, que ocorre sem qualquer medida ou proporção. A guerra entre contrários evidencia que a physis é caótica é denota o fato de que o pensamento de Heráclito é irracionalista.
Mão direita tomou e assim dizia e me interpelava:
Ó jovem, companheiro de aurigas imortais
Tú que assim conduzido chega à nossa morada,
Salve! Pois não foi mal destino que te mandou perlustrar
Essa via (pois ela está fora da senda dos homens)...”
A) a verdade filosófica aparece no poema de Parmênides como revelação divina e experiência mística, que são incompatíveis com o pensamento filosófico racional. A deusa do poema mostra que o conhecimento supremo esta fora do alcance da razão humana.
B) A verdade filosófica no poema de Parmênides, é apresentada por meio de representações míticas que o filósofo retira de uma tradição religiosa. Essas imagens se traspõem, sem deixar de ser místicas, em uma filosofia do ser que busca o objeto inteligível do logos, ou seja, do pensamento racional e do Uno.
C) A verdade filosófica, por ser revelação da deusa, é obtida apenas por experiência religiosa. As representações míticas do poema de Parmênides indicam que a filosofia grega do séc. V a.C. é irracional, pois não usa de categorias lógicas do rigor argumentativo.
D) A filosofia representa o pensamento estritamente racional, que busca uma explicação do mundo somente por meios materiais. Por essa razão, o poema de parmênides ainda não representa o pensamento filosófico do século V a.C., caracterizado por uma ruptura com todas as imagens míticas da tradição cultural grega.
Heráclito, Parmênides e os caminhos do ser - Gonçalo Armijos Palácios
e nunca?| |
Há trechos no Poema de Parmênides que mostram um tom polêmico. O objeto de suas críticas era Heráclito e sua teoria do ser. Uma teoria do ser na qual vemos a coincidência dos opostos. A coincidência entre ser e não-ser. Esta talvez é a primeira grande discussão metafísica da filosofia ocidental. O primeiro embate filosófico, lembre-se, deu-se entre os filósofos físicos, Tales e Anaximandro, e teve como objeto a questão da natureza do cosmo.
As diferenças entre Heráclito e Parmênides perpassam o físico e inundam a essência mesma de todas as coisas. Mais ainda, o substrato de tudo, as propriedades íntimas de tudo o que é: o âmago do ser.
Qual é esse substrato e em que consiste esse âmago metafísico? Segundo Heráclito, consiste em que tudo seja e não seja. Em que todo caminho de ida seja um caminho de volta. E há indícios de que tudo seja como ele diz? Talvez muitos. Nós mesmos, para começar. Nós que um dia fomos crianças, nós que já não o somos. Nós que um dia fomos o que já não somos e que necessariamente não somos ainda o que seremos depois. Nós que, mesmo não sendo as crianças que fomos, as guardamos em algum lugar do nosso ser. Porque quem são essas crianças que já não somos senão nós mesmos? E quem são aqueles anciãos que ainda não somos senão, mais uma vez, nós mesmos? E que é a vida a não ser, num sentido, um caminho de volta ao momento inicial de um nada que nos envolvia nas brumas do não-ser? Que é nossa vida senão esse fugir constante em busca de um futuro próximo e distante que inabalável nos aguarda? E que é o presente senão o instante efêmero em que o futuro foge para o passado? E que é o tempo senão um eterno espremer-se de instantes fugidios que escapam do futuro e procuram seu passado? Somos isso, nós e as coisas.
Mas nesse fogo eternamente aceso que é o ser que nos consome, e ao nos consumir nos realiza, tentamos perseverar, ficar, querendo aprisionar no presente aqueles momentos que nos enganam na sua volátil presença. Porque cada aspecto foge de nós, para sempre, quando piscamos, quando viramos o rosto, quando exalamos e inalamos. Exalamos o que acabamos de ser inalando aos poucos quem seremos. Inadvertidamente. E assim deixamos escapar nossos “somos” que desapercebidos viram “fomos” ficando perplexos com os “seremos” que vão nos invadindo e que, dia após dia, mês após mês, ano após ano, subitamente, descobrimos no espelho. Esse desconhecido que nos mira e no qual devemos nos reconhecer.
Quem realmente somos? Quem estamos sendo e quem queremos ser? Não sabemos. A vida é um constante esforço por reconhecer essa pessoa que nos olha impávida do outro lado do espelho e que jamais mente. Que não oculta que o que achamos ser não é mais, que não está mais ali, nem como uma mera imagem, nem sequer como lembrança. Pois a esse eterno escorregar de instantes estamos submetidos; e cada gota, e cada segundo, e cada instante é a gota que cai num lago que não respinga, é um segundo de um relógio que não clica e o instante de um momento que não parece ter começo nem fim e que nos ilude no seu aparente permanecer.
Mas as aparências nos iludem e ainda pretendemos ser o que já fomos e achamos já ser o que seremos. Mas não somos mais quem fomos e ainda não somos quem seremos. As aparências nos iludem e pensamos que somos sempre nós, idênticos, na unidade e na permanência enganosa da nossa curta história. E nos confundimos sendo aquele conjunto disforme de lembranças e planos e projetos. E não sabemos se somos nós os que proferimos, os que prometemos, os que conjuramos. Não sabemos se somos os que sofremos ou os que temos esperanças. Os iludidos, os fracassados ou os bem-sucedidos e abençoados. Quem somos dentro desse labirinto de instantes, de desejos e frustrações, de fantasias e temores? Quem realmente? Será que nos preocupamos mais pelo que somos ou pelo que aparecemos. Os que aparecemos perante nós e nossas consciências ou aqueles que aparecem para os outros. Os transparentes ou os mascarados.
Caminhamos por sendeiros que não sabemos aonde nos levam, mas sabemos bem de que lugar nos trazem. Pois desses lugares nos afastamos irremediavelmente, para bem ou para mal. E assim, à medida que passa o tempo vamos nos distanciando de quem um dia fomos, de quem um dia quisemos ser, de quem, provavelmente, nunca chegaremos a ser. E a nostalgia da perda e a frustração do fracasso farão parte, mais uma vez, dos nossos peitos errantes e se instalarão em nossos corações desiludidos. Ou, quiçá, não...
Porque lutamos em permanecer e lutamos por ser. Insistimos em ser quem queremos ser, quem talvez já fomos e quem ainda seremos. E, assim, vamos lutando, sem perceber, para nos mantermos fiéis ao nosso passado ou ao nosso futuro, às nossas conquistas ou às nossas fantasias, felizes, infelizes, confiantes, duvidosos... Nem santos nem demônios, nem heróis nem vilões, apenas nós, seres condenados a ser, deixar de ser e vir a ser ou, que é pior, a nunca ser, a jamais deixar de ser nem, algum dia, vir a ser...

GONÇALO ARMIJOS PALÁCIOS, filósofo e professor da UFG, é articulista do Jornal Opção. Esse texto foi retirado de sua coluna Idéias, disponível no site www.jornalopcao.com.br