quarta-feira, 1 de abril de 2009
Epicuro: Carta sobre a Feliciadade
(a Meneceu)
Epicuro envia suas saudações a Meneceu
Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la. Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.
Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bemaventurado,
como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade.
Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses, ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que seja
diferente deles.
Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efémera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade.
Não existe nada de terrível na vida para cjuem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver. É tolo portanto quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.
Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no
entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida.
O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal.
Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.
Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas também porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente viver e em honestamente morrer. Mas pior ainda é aquele que diz: bom seria não ter nascido, mas, uma vez nascido, transpor o mais depressa possível as portas
do Hades.
Se ele diz isso com plena convicção, por que não se vai desta vida? Pois é livre para fazê-lo, se for esse realmente seu desejo; mas se o disse por brincadeira, foi um frívolo em falar de coisas que brincadeira não admitem.
Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.
Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo.
Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo, não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.
É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer e dor.
Embora o prazer seja nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. Portanto, todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas. Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e dos danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem
como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem.
Consideramos ainda a auto-suficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.
Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita. Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temor as vicissitudes da sorte.
Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de urna mesa farta que tomam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos. De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão
pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade.
Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas.
Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade
nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanhara a censura e o louvor? Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do desino dos naturalistas: o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos deuses através das homenagens que lhes prestamos, ao passo que o destino é uma necessidade inexorável.
Entendendo que a sorte não é uma divindade, como a maioria das pessoas acredita (pois um deus não faz nada ao acaso), nem algo incerto, o sábio não crê que ela proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática, é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um projeto mau.
Medita, pois, todas estas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.
Tradução baseada na edição de Arrighetti. Epicuro. Opere. Torino, 1973.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Questões de Vestibular sobre Aristóteles
Aristóteles
(UFU 2ª fase Janeiro de 1999)"E se indagamos quais são os princípios ou elementos das substâncias, relações e quantidades – se são os mesmos ou diferentes - é claro que quando os nomes das causas são usados em vários sentidos as causas de cada um são as mesmas, mas quando distinguimos os sentidos elas são diferentes".
(Aristóteles - Metafísica - Editora Globo - Porto Alegre.)
O texto de Aristóteles refere-se à distinção das causas em sua teoria da causalidade. Quais são as causas aristotélicas? Descreva a especificidade de cada uma delas.
(UFG-2004 )Há na espécie humana indivíduos tão inferiores a outros como o corpo o é em relação a alma ou a fera ao homem; são os homens nos quais o emprego da força física é o melhor que dela se obtém. Partindo dos nossos princípios, tais indivíduos são destinados por natureza à escravidão, porque, para eles, nada é mais fácil de obedecer.
Aristóteles, Política. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d., p.26.
Aristóteles escreveu esse texto no IV século a. C., momento do início da expansão macedônica sobre as cidades-Estados gregas escravistas. A partir do fragmento, identifique dois argumentos que justificavam a escravidão no mundo greco-romano.
(UFU 09/2002)
“Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.”
Sobre o silogismo em geral e, sobre este em particular, é correto afirmar que:
I - é um raciocínio indutivo, pois parte de duas premissas verdadeiras e chega a uma conclusão também verdadeira.
II - o termo médio homem liga os extremos e, por isso, não pode estar presente na conclusão.
III - é um raciocínio válido, porque é constituído por proposições verdadeiras, não importando a relação de inclusão (ou de exclusão) estabelecida entre seus termos.
IV - as premissas, desde que uma delas seja universal, devem tornar necessária a conclusão.
Marque a alternativa que contém todas as afirmações corretas.
A) II e IV
B) I e II
C) II e III
D) III e IV
grego.
(UEL-2004) Observe a charge e leia o texto a seguir.
Animal Político Não alimente
Fonte: LAERTE. Classificados. São Paulo: Devir, 2001. p. 25.
“É evidente, pois, que a cidade faz parte das coisas da natureza, que o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade, e que aquele que, por instinto, e não porque qualquer circunstância o inibe, deixa de fazer parte de uma cidade, é um ser vil ou superior ao homem [...].” (ARISTÓTELES. A política. Trad. de Nestor Silveira Chaves. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 13.)
Com base no texto de Aristóteles e na charge, é correto afirmar:
a) O texto de Aristóteles confirma a idéia exposta pela charge de que a condição humana de ser político é
artificial e um obstáculo à liberdade individual.
b) A charge apresenta uma interpretação correta do texto de Aristóteles segundo a qual a política é uma atividade nociva à coletividade devendo seus representantes serem afastados do convívio social.
c) A charge aborda o ponto de vista aristotélico de que a dimensão política do homem independe da convivência com seus semelhantes, uma vez que o homem bastase a si próprio.
d) A charge, fazendo alusão à afirmação aristotélica de que o homem é um animal político por natureza, sugere uma crítica a um tipo de político que ignora a coletividade privilegiando interesses particulares e que, por isso, deve ser evitado.
e) Tanto a charge quanto o texto de Aristóteles apresentam a idéia de que a vida em sociedade degenera o homem, tornando-o um animal.
(UEL-2004)“Uma vez que constituição significa o mesmo que governo, e o governo é o poder supremo em uma cidade, e o mando pode estar nas mãos de uma única pessoa, ou de poucas pessoas, ou da maioria, nos casos em que esta única pessoa, ou as poucas pessoas, ou a maioria, governam tendo
em vista o bem comum, estas constituições devem ser forçosamente as corretas; ao contrário, constituem desvios os casos em que o governo é exercido com vistas ao próprio interesse da única pessoa, ou das poucas pessoas, ou da maioria, pois ou se deve dizer que os cidadãos não participam do governo da cidade, ou é necessário que eles realmente participem.” (ARISTÓTELES. Política. Trad. de Mário
da Gama Kury. 3.ed. Brasília: Editora UNB, 1997. p. 91.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre as formas de governo em Aristóteles, analise as afirmativas a seguir.
I. A democracia é uma forma de governo reta, ou seja, um governo que prioriza o exercício do poder em benefício do interesse comum.
II. A democracia faz parte das formas degeneradas de governo, entre as quais destacam-se a tirania e a oligarquia.
III. A democracia é uma forma de governo que desconsidera o bem de todos; antes, porém, visa a
favorecer indevidamente os interesses dos mais pobres, reduzindo-se, desse modo, a uma acepção demagógica.
IV. A democracia é a forma de governo mais conveniente para as cidades gregas, justamente porque realiza o bem do Estado, que é o bem comum.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.
(UFU -
A partir da análise do texto acima, estabeleça, em primeiro lugar, a distinção entre virtude intelectual e moral; mostre, a seguir, por que a virtude moral não surge em nós por natureza.
(UFU 2ª fase Janeiro de 2004) No livro V da Metafísica, Aristóteles serviu-se das seguintes palavras para definir
acidente: .Acidente significa: (1) o que adere a uma coisa e dela pode ser afirmado com verdade, porém não necessariamente, nem habitualmente; por exemplo, se alguém ao cavar um buraco para plantar uma árvore, encontra um tesouro. Esse fato . o encontro do tesouro . é um acidente para o homem que cavou o buraco, pois nem uma coisa provém necessariamente da outra ou vem depois dela, nem é habitual descobrir tesouros quando se planta uma árvore..
ARISTÓTELES. Metafísica [livro V, 30, 1025a 1-25] Trad. De Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1969, p. 140.
Com base na descrição de Aristóteles apresentada acima, explique qual é a causa responsável pelo acidente.
(UFU 1ª Fase Janeiro de 2004) Observe o silogismo abaixo:
Muitas pessoas com mais de trinta anos são chatas.
Esta pessoa tem mais de 30 anos.
Esta pessoa é chata.
Considerando, respectivamente, as premissas e a conclusão do silogismo, é correto afirmar que
A) as premissas são absolutamente inválidas e a conclusão do silogismo é verdadeira.
B) as premissas são verdadeiras, logo, a conclusão do silogismo é verdadeira.
C) as premissas podem ser verdadeiras, porém, a conclusão do silogismo é inválida.
D) as premissas são logicamente inválidas, portanto, a conclusão do silogismo é falsa.
(UEL_2005) “A busca da ética é a busca de um ‘fim’, a saber, o do homem. E o empreendimento humano como um todo, envolve a busca de um ‘fim’: ‘Toda arte e todo método, assim como toda ação e escolha, parece tender para um certo bem; por isto se tem dito, com acerto, que o bem é aquilo para que todas as coisas tendem’. Nesse passo inicial de a Ética a Nicômacos está delineado o pensamento fundamental da Ética. Toda atividade possui seu fim, ou em si mesma, ou em outra coisa, e o valor de cada atividade deriva da sua proximidade ou distância em relação ao seu próprio fim”. (PAIXÃO, Márcio Petrocelli. O
problema da felicidade em Aristóteles: a passagem da ética à dianoética aristotélica no problema da felicidade. Rio de Janeiro: Pós-Moderno, 2002. p. 33-34.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a ética em Aristóteles, considere as afirmativas a seguir.
I. O “fim” último da ação humana consiste na felicidade alcançada mediante a aquisição de
honrarias oriundas da vida política.
II. A ética é o estudo relativo à excelência ou à virtude própria do homem, isto é, do “fim” da vida
humana.
III. Todas as coisas têm uma tendência para realizar algo, e nessa tendência encontramos seu valor, sua virtude, que é o “fim” de cada coisa.
IV. Uma ação virtuosa é aquela que está em acordo com o dever, independentemente dos seus “fins”.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.
(UEL-2005) “[...] não é ofício do poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem verso ou prosa [...] diferem, sim, em que diz um as coisas que sucederam, e outro as que poderiam suceder. Por isso a poesia é algo de mais filosófico e mais sério do que a história, pois refere aquela principalmente o universal, e esta o particular”.
(ARISTÓTELES. Poética. Trad. de Eudoro de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 209.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a estética em Aristóteles, é correto afirmar:
a) A poesia é uma cópia imperfeita, realizada no mundo sensível, sob a inspiração das musas e distante da verdade.
b) Os poetas, de acordo com a sua índole, representam pessoas de caráter elevado, como ocorre na tragédia, ou homens inferiores, como na comédia.
c) A poesia deve ser fiel aos acontecimentos históricos e considerar os fatos em sua particularidade.
d) A poesia deve a sua origem à história e a compreensão daquela supõe o entendimento da
própria natureza do ser humano.
e) A imitação, que ocorre na tragédia, representa uma ação completa e de caráter elevado, de uma forma
narrativa e não dramática.
Gabarito: questões de Vestibular sobre Sócrates/Platão
2) Procure responder a este item analisando o texto, ele contém elementos suficientes para isso.
3) d
Aqui estão as questões
domingo, 1 de abril de 2007
Aristóteles: uma biografia - por Orlando Neves
O que é Filosofia - Sócrates, Platão e Aristóteles. Paulo Ghiraldelli Jr.
sábado, 31 de março de 2007
A ignorância socrática - Paulo Ghiraldelli Jr.
Escravos - Elegia (e o Mito da Caverna virou música gótica...)

A banda gótica Elegia se inspirou no mito da Caverna de Platão para fazer essa canção. Vale a pena conferir. A canção está disponível no My Space no sequinte link. A letra está aí embaixo...

Vejo no escravo da gravura em seus pulsos as algemas
Subitamente vejo-me refletido, almas-gemeas
Em meus pulsos o relógio dita as ordens, somos escravos
Na caverna escura, vivendo em correntes
Na caverna escura atado as regras desse jogo de sombras, pouco sabemos
Aquele que vislumbrar a luz, será posto a ferros
Trancado na cela soltitária, numa camisa de força, se do que vir disser
E o que descreverá ninguém entenderá deverá ser calado
A gota a diluir-se no mar, a gota a diluir-se no mar
E para sempre assim será
Para sempre, será?
Somos escravos nesse labirinto sem paredes
Somos peixes presos na própria rede
Que tecemos dia a dia, noites a fio
Pois é seguro sem medo sem frio a frente da TV, anestesiando mentes
Drenando-as via satélite, em rede
Presos na própria rede, presos na própria rede
(A gota a diluir-se no mar, para sempre assim será)
A caverna de Platão - Paulo Ghiraldelli Jr.
Alegoria da Caverna - Platão
- Depois disso, disse eu, representa-te, segundo essa condição, a nossa natureza no que diz respeito à educação e à ausência dela. Imagina ver homens acorrentados numa habitação subterrânea em forma de caverna, que tenha a entrada aberta para a luz em toda a sua extensão; além disso, que eles se encontrem aqui desde crianças, com as pernas e o pescoço preso a cadeias de modo a não poder mover-se e a dever olhar sempre para a frente, sem poder virar a cabeça por causa das cadeias; atrás deles, ao longe, brilha a luz de uma fogueira; entre os prisioneiros e fogo corre um caminho elevado e ao longo dele um pequeno muro, igual a cortina que os exibidores de marionetes colocam entre si e os espectadores e acima da qual exibem seu espetáculo. - Estou vendo disse ele. - Imagina agora que, ao longo do pequeno muro, passam homens carregando utensílios de todo o tipo que excedem a altura do muro, e figuras de homens e de animais feitas de pedra e madeira, e todo o tipo de formas; e como é natural, alguns dos carregadores falem e outros permaneçam em silêncio. - Falas, disse ele, de um estranho quadro e de estranhos prisioneiros. - Eles são semelhantes à nós, respondi. Antes de tudo, crês que eles e seus vizinhos vejam outra coisa a não ser as sombras que o fogo projeta na parede da caverna que está diante deles? - E como, se estão obrigados a ter a cabeça imóvel por toda a vida? - E quanto aos objetos que são levados, não acontece a mesma coisa? - Sem dúvida. - Se, portanto, pudessem conversar entre si não credes que pensariam designar objetos reais, designando as sombras que contemplam? - Necessariamente. - E se o cárcere tivesse um eco vindo da parede em frente, todas as vezes que um dos passantes falasse crês que pensariam ser outro a falar a não ser a sombra que passa? - Não, por Zeus, disse ele. - Em todo o caso, disse eu, esses tais outra coisa não pensariam que fosse o real verdadeiro a não ser a sombra daqueles objetos artificiais. - Necessariamente, disse ele. - Considera agora, continuei, de que modo seria a sua libertação das cadeias e a sua cura da ignorância, se as coisas lhes acontecesse naturalmente. Logo que um fosse solto e obrigado a levantar-se e a virar o pescoço, a caminhar e a levantar os olhos para a luz, ao fazer tudo isso sofreria dores e ficaria ofuscado sem poder ver as coisas cuja sombra via antes. O que pensas que ele responderia se alguém lhe dissesse que o que via a pouco eram sombras vãs e que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, ele via mais corretamente as coisas? E mostrando-lhe cada um dos objetos que passam, , o forçasse a responder a pergunta "o que é"? Não crês que ele ficaria perplexo e que os objetos que antes via lhe pareceriam mais verdadeiros do que aqueles que agora vê? - Bem mais verdadeiros, disse ele. - E se alguém o obrigasse a olhar a luz mesma, seus olhos não ficariam doloridos e não fugiria, voltando-se para aquelas coisas que pode ver, e não consideraria a essas semelhantes mais claras dos que as que lhe são mostradas? - Assim é, disse ele. - E se de lá alguém o tirasse, levando-o por força a subir pela rude e escarpada subida, e não o deixasse antes de tê-lo trazido para fora, para a luz do sol, acaso não sofreria e não se revoltaria por ver-se assim arrastado e, tendo chegado à luz, não teria os olhos ofuscados pelo seu brilho e não ficaria impedido de ver nem mesmo um dos objetos que a partir de agora são ditos verdadeiros? - Pelo menos, disse ele, não poderia vê-los imediatamente. - Penso que deveria primeiro habituar-se para poder ver as coisas daqui de cima. O que primeiro veria mais facilmente seriam as sombras, depois as imagens dos homens e das outras coisas refletidas nas águas, depois os próprios objetos. Em seguida veria os objetos que estão no céu e contemplaria o próprio céu durante a noite, vendo a luz dos astros e da lua com mais facilidade do que veria durante o dia o sol. - Sem dúvida. - Finalmente, creio que poderia ver o próprio sol e não os seus reflexos nas águas ou em alguma outra superfície, mas ele mesmo e em si mesmo, na morada que lhe é própria, contemplando-o tal qual é. - Necessariamente, disse ele. - Depois disso poderia deduzir a esse propósito as conclusões de que é o sol que produz as estações e os anos, que governa todas as coisas no mundo visível e que é a causa também de todas as coisas que ele e seus companheiros antes viam. - É claro, disse ele, que depois de tudo chegaria a essas conclusões. - E então, quando se lembrasse da suas primeira morada e da sabedoria que ali pensava possuir e dos que estavam prisioneiros como ele, não pensa que se felicitaria da mudança e teria compaixão daqueles outros? - Sim, sinceramente. - E se entre eles havia louvores, honras e prêmios para quem tivesse a vista mais aguda para observar os objetos que passavam e se recordasse mais exatamente quais eram os que costumavam passar em primeiro ou em ultimo lugar ou juntos, e a partir daí fosse o mais capaz de prever o que estava para acontecer, pensas que esse tal teria desejo daquelas coisas e inveja dos que entre deles gozam de maior honra e poder, ou não sucederia acaso o que diz Homero, e que ele preferiria muito mais, "viver sobre a terra e ser servo de um pobre homem" e sofrer qualquer coisa, antes do que voltar a viver lá e ter aquelas opiniões? - Sem dúvida, disse ele: penso que sofreria qualquer coisa antes do que tornar a viver aquela vida. - Pensa também nisso: se aquele tal descesse de novo na caverna, voltasse a sentar-se no seu lugar, não ficaria com os olhos cheios de trevas vindo, de repente, da luz do sol? - Certamente, disse ele. - E se voltasse a discorrer sobre aquelas sombras, discutindo com os prisioneiros que lá ficaram, antes que seus olhos se acostumassem com a escuridão, o que levaria bastante tempo, não seria motivo de
riso e não se diria dele que, tendo subido lá em cima, voltou com a vista estragada, e que não vale a pena tentar a subida? E se buscasse liberta-los e conduzi-los para o alto e eles pudessem agarrá-lo com suas mãos, acaso não o matariam? - Certamente o fariam, disse ele.
(Trecho do livro VII da Repúbica de Platão )
sexta-feira, 30 de março de 2007
Os erros de Chauí: convite para reflexão

O livro mais vendido de introdução à filosofia no Brasil é Convite à Filosofia (você encontra essa obra na internet, tanto em formato doc. quanto .pdf ) de Marilena Chauí. Essa mesma obra ganhou uma edição menor e saiu na série voltada para o Ensino Médio com o título Filosofia. É necessário ressaltar a coragem de Chauí de sair a publico para expor a filosofia: qual outro profissional fez isso? Qual outro se deu ao trabalho de tentar escrever uma introdução a filosofia para o grande público que lhe oferecesse uma visão panorâmica dessa disciplina? O livro de Chauí tem seus méritos, contudo é dever do filósofo ficar atento para suas falhas...
O professor Gonçalo Armijos Palácios destacou uma série desses equivocos num conjunto de artigos que levavam o nome de Convite à falsificação. A série me parece que chegou a dezena de artigos mas hoje encontramos disponíveis na internet apenas dois: um sobre como Chauí cria seu Sócrates e outro sobre como a filósofa interpreta a Alegoria da Caverna. A leitura dos textos de Gonçalo deixa qualquer um espantado...
Em relação a interpretação da filosofia antiga Chauí possui uma obra também muityo divulgada, sua Introdução à História da Filosofia: dos pré-socráticos à Aristóteles. Essa obra é motivo dos questionamentos de Paulo Ghirraldelli Jr.: o filósofo pragmatista reclama da visão platonizante que Chauí oferece de Sócrates, que desconsidera a literatura mais recente sobre o tema. Ghiraldelli se apoia principalmente em Gregory Vlastos. Vale conferir o texto de Ghiraldelli Sócrates e o "erro" de Marilena Chauí que é complementado por um vídeo sobre o método de Sócrates. Vale o convite para criticar a filosofia que oferecemos para nossos alunos.
Platão e as Mulheres de Atenas

O sexo feminino é de sua natureza e na razão da sua fraqueza, mais inclinado que o nosso para o mistério e para a astúcia.(Leis. 780)
A diferença evidente é que a mulher dá à luz enquanto que o homem engendra. (República. 454e).
As frases acima são de Platão e mostram uma faceta interessante de seu pensamento: a posição da mulher. (existe uma entrevista imaginária sobre esse tema, não gostei muito mas pra quem quizer vai o link ). É por meio da figura de uma mulher, Diotina que nO Banquete Platão apresenta sua teoria sobre Eros.
O professor Gonçalo Armijos Palácios destacou em seus artigos a igualdade que Platão percebia entre homens e mulheres. Gonçalo destaca esse fato e dá enfase a como era por parte do filósofo grego uma posição revolucionária para Atenas (vale lembrar que em Esparta as mulheres contavam com bem mais liberdade que na cidade democrática)...
É interessante a valorização da mulher por parte de Platão, mas não podemos deixar de lembrar que de certa forma, mesmo no comunismo platônico a mulher continuava sendo vista a partir de uma posição inferior: ela, por exemplo, não poderia se negar a um guerreiro durante um periodo de batalhas...a própria gramática traia ( e ainda trai) os ideais de igualdade.
Vale conferir os textos de Palácios:
Ser ou Não Ser (Viviane Mosé): Platão
quinta-feira, 29 de março de 2007
A missão de Sócrates - Paulo Ghiraldelli Jr.
Sócrates e o "Conhece-te a ti mesmo"- Paulo Ghiraldelli Jr.
A maiêtica socrática- Gonçalo Armijos Palácios


GONÇALO ARMIJOS PALÁCIOS, filósofo e professor da UFG, é articulista do Jornal Opção. Esse texto foi retirado de sua coluna Idéias, disponível no site www.jornalopcao.com.br
Sócrates em 4 atos (4) - Paulo Ghiraldelli Jr.
Sócrates em 4 atos (3) - Paulo Ghiraldelli Jr.
Sócrates em 4 atos (2) - Paulo Ghiraldelli Jr.
Sócrates em 4 atos (1) - Paulo Ghiraldelli Jr.
terça-feira, 27 de março de 2007
Questões de Vestibular: Pré-socráticos Heráclito e Parmênides
1) (UFU-1ª Fase Janeiro de 1999)Parmênides de Eléia, filósofo pré-socrático, sustentava que
I- o ser é.
II- o não-ser não é.
III- o ser e o não-ser existem ao mesmo tempo.
IV- o ser é pensável e o não-ser é impensável.
Assinale
A) se apenas I, III e IV estiverem corretas.
B) se apenas I, II e III estiverem corretas.
C) se apenas II, III e IV estiverem corretas.
D) se apenas I, II e IV estiverem corretas.
E) se todas as afirmativas estiverem corretas.
2) (UFU- 1ª Fase Janeiro de 1999)Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, compreendia que
II- o vir-a-ser é a luta entre os contrários.
III- a luta entre os contrários é o princípio de todas as coisas.
IV- da luta entre os contrários origina-se o não-ser.
Assinale
A) se apenas I, II e III estiverem corretas.
B) se apenas I, III e IV estiverem corretas.
C) se apenas II, III e IV estiverem corretas.
D) se apenas I, II e IV estiverem corretas.
E) se todas as afirmativas estiverem corretas.
3) (UFU_Setembro de 2002)
“Só resta o mito de uma via, a do ser; e sobre esta existem indícios de que sendo não gerado é também imperecível, pois é todo inteiro, inabalável e sem fim; nem jamais era nem será, pois é agora todo junto, uno, contínuo (…)” Sobre a Natureza, 8, 2-5
A partir deste trecho do poema de Parmênides, é possível afirmar que
A) a continuidade, a geração e o imobilismo estão presentes na via do ser.
B) o ser, por não poder não ser, não é gerado nem deixa de ser, não tendo princípio nem fim.
C) a via do ser é aquela percebida pelos nossos sentidos.
D) o ser, para o autor, de certo modo não é, pois nunca foi no passado nem será no futuro.
4) (UFU-Julho de 2003 1ª Fase ) “Só é possível pensar e dizer que o ente é, pois o ser é, mas o nada não é; sobre isso, eu te peço, reflita, pois esta via de inquérito é a primeira de que te afasto; depois afasta-te daquela outra, aquela em que erram os mortais desprovidos de saber e com dupla cabeça, pois, no peito, a hesitação dirige um pensamento errante: eles se deixam levar surdos e cegos, perplexos, multidão inepta, para quem ser e não ser é considerado o mesmo e não o mesmo, para quem todo o caminho volta sobre si mesmo”.
Parmênides, Sobre a Natureza, 6, 1-9.
Sobre este trecho do poema de Parmênides, é correto afirmar que
I - só se pode pensar e dizer que o ser é.
II - para os mortais o ser é considerado diferente do não ser.
III - é possível dizer o não ser, embora não se possa pensá-lo.
IV - duas vias de inquérito devem ser afastadas: a do não ser e a dos mortais.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmações corretas.
A) II e III
B) II e IV
C) I e III
D) I e IV
5) (UFU-2000 2ª fase)"Para os que entram nos mesmos rios, correm outras e novas águas. (...) Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio".
(Heráclito. Pré-socráticos, Col. Os Pensadores, Abril Cultural, 1978)
"Necessário é dizer e pensar que só o ser é, e o nada, ao contrário, nada é: afirmação que bem deves considerar".
(Parmênides. Pré-socráticos. Col. Os Pensadores, Abril Cultural, 1978)
A partir dos fragmentos acima, estabeleça as principais diferenças entre as concepções do ser de Heráclito e de Parmênides.
6) (UFU 2ª Fase Março de 2002) “Ao Logos, razão e palavra do que sempre é, os homens são incapazes de compreendê-lo, tanto antes de ouvi-lo quanto depois de tê-lo ouvido pela primeira vez, porque todas as coisas nascem e morrem segundo este Logos. Os homens são inexperientes, mesmo quando eles experimentam palavras ou atos tais quais eu corretamente os explico segundo a natureza, separando cada coisa e explicando como cada uma se comporta. Enquanto isso os outros homens esquecem tudo o que eles fazem despertos assim como eles esquecem, dormindo, tudo o que eles vêem.”
Adaptado de HERÁCLITO. Pré-Socráticos. Coleção “Os Pensadores”. São Paulo: Abril Cultural , 1978. p. 79.
A partir do aforisma de Heráclito, responda às questões propostas:
A) Heráclito pode corretamente ser caracterizado como um filósofo empirista, cuja fonte de conhecimento se encontra nas sensações?
B) Qual é o fundamento permanente de todo conhecimento e quem, segundo o texto, corretamente o conhece e o enuncia?
Justifique as duas respostas com trechos do texto acima de Heráclito.
7) (UFU-Janeiro de 2004)
(HERÁCLITO. Sobre a natureza. Trad. de José Cavalcante de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 56. Coleção .Os Pensadores..)
Este fragmento ilustra bem o pensamento de Heráclito, que acreditou ser o mundo o eterno fluir, comparado a um rio no qual .entramos e não entramos.. Assinale a alternativa que explica o fragmento mencionado acima.
A) Todas as coisas estão em oposição umas com as outras, o que explica o caráter mutável da realidade. A unidade do mundo, sua razão universal resulta da tensão entre as coisas, daí o emprego freqüente, por parte de Heráclito, da palavra guerra para indicar o conflito como fundamento do eterno fluxo.
B) A harmonia que anima o mundo é aberta aos sentidos, sendo possível ser conhecida na multiplicidade daquilo que é manifesto, uma vez que a realidade nada mais é que o eterno fluxo da multiplicidade do Logos heraclitídeo.
C) A unidade dos contrários, a vida e a morte, é imóvel, podendo ser melhor representada para o entendimento humano por intermédio da imagem do fogo, que permanece sempre o mesmo, imutável e continuamente inerte, e não se oculta aos olhos humanos.
D) O arco, instrumento de guerra, indica que a idéia de eterno fluxo, das transformações que compõem o fluxo universal, é o fundamento da teoria do caos, pois o fogo se expande sem medida, tornado a realidade sem nenhuma harmonia ou ordem.
8) (UFU-Dezembro de 2004) Os fragmentos abaixo representam três temas fundamentais que configuram o pensamento de Heráclito de Éfeso.
“Por fogo se trocam todas (as coisas ) e fogo por todas, tal como por ouro mercadorias e por mercadorias ouro”. Frag. 90
A partir das citações acima:
A)Explicite quais são seus temas
B) Comente cada um deles de modo a caracterizar a filosofia de Heráclito
9) (UFU-Janeiro de 2004)
Parmênides (c. 515-
“Necessário é o dizer e pensar que (o) ente é; pois é ser,
e nada não é; isto eu te mando considerar.
Pois primeiro desta via de inquérito eu te afasto,
mas depois daquela outra, em que mortais que nada sabem
erram, duplas cabeças, pois o imediato em seus
peitos dirige errante pensamento; (...).”
PARMÊNIDES. Sobre a natureza. Trad. de José Cavalcante de Souza.São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 88. Coleção .Os Pensadores..
Analise as assertivas abaixo.
I . A opinião humana busca o que é (ser) naquilo que não é (ser).
II . O mundo dos sentidos é (ser), portanto, o único digno de ser conhecido.
III . Não se pode dizer .não-ser é., porque .não-ser. é impensável.
IV . Dizer .não-ser é não não-ser., é o mesmo que afirmar .não-ser não é..
Assinale a alternativa que contém as assertivas corretas.
A) I e III
B) II e III
C) II e IV
D) I e IV
10) (UFU Julho de 2004) O fragmento a seguir é atribuído a Heráclito de Éfeso:
“O mesmo é em (nós?) vivo e morto, desperto e dormindo, novo e velho; pois estes, tombados além, são aqueles e aqueles de novo, tombados além, são estes” HERÁCLITO. Sobre a natureza. Trad. de José Cavalcante de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 93. Coleção .Os Pensadores..
A) Não existe a noção de “oposto” no pensamento de Heráclito, pois todas as coisas constituem um único processo de mudança que expressa a concórdia e a harmonia do “fluxo” contínuo da natureza.
B) a equivalência de estados contrários com o mesmo exprime a alternância harmônica de pólos opostos, pela qual um estado é transposto no outro, numa sucessão mútua, como o dia e a noite. Todas as coisas são “Um”, toda a multiplicidade de opostos constitui uma unidade, e todos os seres estão em um fluxo eterno de sucessão de opostos em guerra.
C) Se o morto é vivo, o velho é novo, e o dormente é desperto, então não existe o múltiplo, mas apenas o “Um”, como verdade profunda do mundo. A unidade primordial é a própria realidade da physis, e a multiplicidade, apenas aparência.
D) a alternância entre pólos opostos constitui um fluxo eterno, regido pela “guerra” e pela discórdia, que ocorre sem qualquer medida ou proporção. A guerra entre contrários evidencia que a physis é caótica é denota o fato de que o pensamento de Heráclito é irracionalista.
Mão direita tomou e assim dizia e me interpelava:
Ó jovem, companheiro de aurigas imortais
Tú que assim conduzido chega à nossa morada,
Salve! Pois não foi mal destino que te mandou perlustrar
Essa via (pois ela está fora da senda dos homens)...”
A) a verdade filosófica aparece no poema de Parmênides como revelação divina e experiência mística, que são incompatíveis com o pensamento filosófico racional. A deusa do poema mostra que o conhecimento supremo esta fora do alcance da razão humana.
B) A verdade filosófica no poema de Parmênides, é apresentada por meio de representações míticas que o filósofo retira de uma tradição religiosa. Essas imagens se traspõem, sem deixar de ser místicas, em uma filosofia do ser que busca o objeto inteligível do logos, ou seja, do pensamento racional e do Uno.
C) A verdade filosófica, por ser revelação da deusa, é obtida apenas por experiência religiosa. As representações míticas do poema de Parmênides indicam que a filosofia grega do séc. V a.C. é irracional, pois não usa de categorias lógicas do rigor argumentativo.
D) A filosofia representa o pensamento estritamente racional, que busca uma explicação do mundo somente por meios materiais. Por essa razão, o poema de parmênides ainda não representa o pensamento filosófico do século V a.C., caracterizado por uma ruptura com todas as imagens míticas da tradição cultural grega.
