sexta-feira, 13 de novembro de 2009
UFRJ 2008: Ética
das questões importantes que ocuparam a filosofia ocidental desde seu surgimento diz respeito às nossas decisões e ações. De um lado, alguns filósofos sustentaram que todos os acontecimentos do mundo, inclusive as nossas decisões por realizar ou não uma ação, são inteiramente determinados por leis da natureza diante das quais a vontade humana nada pode. Essa posição é muitas vezes chamada de determinismo.
De outro lado, outros filósofos rejeitaram essa concepção determinista por a considerarem incompatível com a tese de que a liberdade é um traço característico das decisões humanas, defendendo que, por sermos livres, está sempre em nosso poder, isto é, sob o poder da nossa vontade, a decisão por realizar ou não uma ação.
Considerando que uma decisão imputável é aquela que pode ser legitimamente atribuída a alguém como seu autor responsável, isto é, alguém capaz de responder por ela, identifique qual das duas doutrinas, a do determinismo ou a da liberdade, tais como acima descritas, é mais compatível com o princípio da imputabilidade. Justifique sua resposta.
UFRJ 2008: Rousseau
De acordo com o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, o contrato social “estabelece entre os cidadãos uma tal igualdade que eles se comprometem todos nas mesmas condições e devem gozar dos mesmos direitos. (...) sua situação [dos indivíduos], por efeito desse contrato, se torna realmente preferível à que antes existia, e em vez de uma alienação, não fizeram senão uma troca vantajosa de um modo de vida incerto e precário por um outro melhor e mais seguro, da independência natural pela liberdade, do poder de prejudicar a outrem pela segurança própria, e de sua força, que outras podiam dominar, por um direito que a união social torna invencível.”
(ROUSSEAU, J-J. Do Contrato Social. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978)
Considerando as trocas a que se refere o trecho acima:
a) identifique, com base no texto, dois elementos que são substituídos e dois que são conquistados
pelos indivíduos que se comprometem com o “contrato social”;
b) discuta em que medida essa substituição pode ser considerada vantajosa
UFRJ 2008: Descartes
A disputa entre racionalismo e empirismo se dá no ramo da filosofia destinado ao estudo da natureza, das fontes e dos limites do conhecimento. Essa disputa diz respeito à questão sobre se e em que medida somos dependentes da experiência sensível para alcançar o conhecimento. Os racionalistas afirmam que nossos conhecimentos têm sua origem independentemente da experiência sensível, isto é, independentemente de
qualquer acesso imediato a coisas externas a nós. Os empiristas, por sua vez, consideram que a experiência sensível é a fonte de todos os nossos conhecimentos. Em relação ao tema, considere a seguinte afirmativa:
“Primeiramente, considero haver em nós certas noções primitivas, as quais são como originais, sob cujo padrão formamos todos os nossos outros conhecimentos”.
(DESCARTES, R. Carta a Elizabeth de 21 de maio de 1743. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978)
Com base no que foi exposto acerca da oposição entre racionalismo e empirismo, responda: a frase de Descartes é mais representativa da posição racionalista ou da posição empirista? Justifique sua resposta, indicando o(s) elemento(s) da frase que a sustenta(m).
UFRJ 2008: O que significa filosofia?
“Filosofia” é uma palavra de origem grega. Ela é constituída pela reunião de duas outras palavras gregas: “philia” e “sophia”. O termo grego “philia” pode ser traduzido por “amizade”, “afeição”, “amor”. Já o termo “sophia” costuma ser traduzido por “sabedoria”. A partir dessas considerações:
a) indique o significado da palavra “filosofia”;
b) comente o sentido da atividade que ela designa.
link para gabarito UFRJ 2008
UFRJ 2009: Justiça, Platão
Questão 4
No trecho que segue, extraído da obra do filósofo Platão intitulada A República, o personagem Gláucon apresenta o que seria um discurso corrente sobre a justiça e a injustiça:
“Dizem que uma injustiça é por natureza um bem, e sofrê-la, um mal, mas que ser vítima de injustiça é um mal maior do que o bem que há
(PLATÃO. A República. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira, Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1987, p.55-56; 359a-b)
De acordo com a exposição de Gláucon, responda:
a) Agir em conformidade com as prescrições da lei é, segundo a mencionada “voz corrente”, um bem maior, menor ou igual ao que há em cometer uma injustiça impunemente?
UFRJ 2009: Kant
De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o modo de pensar cético busca tornar incertos os nossos conhecimentos. No entanto, esse modo de pensar, ainda segundo Kant, não pode ser legitimamente generalizado, isto é, não pode justificar a afirmação de que tudo o que consideramos conhecimento é apenas aparência de conhecimento. Kant justifica assim tal impossibilidade: para dizer que tudo o que consideramos conhecimento é apenas aparência de conhecimento, o cético distingue entre aparência de conhecimento e conhecimento.
Isso revela, portanto, que ele possui um conhecimento que lhe serviu para efetuar tal distinção.
Com base no texto acima, responda:
a) Segundo Kant, de qual pressuposto depende a afirmação cética: “tudo o que consideramos conhecimento é apenas aparência de conhecimento”?
b) Supondo que a mencionada afirmação cética seja incorreta, é possível daí imediatamente concluir que não podemos nos enganar em matéria de conhecimento? Justifique sua resposta.
UFRJ 2009: Aristóteles, lógica
É comum, entre filósofos, admitir-se que toda tese filosófica deve estar apoiada em razões que a justifiquem, e que justificar uma tese é apresentar argumentos. Tais argumentos consistiriam em um discurso no qual, a partir de alguns itens supostos, outros itens resultam. Os itens supostos são chamados de premissas do argumento, e o que resulta é denominado sua conclusão. Alguns argumentos são chamados de argumentos dedutivos. Nesse tipo de argumento, dada a verdade das premissas, a conclusão necessariamente é verdadeira. Outros são chamados de argumentos
indutivos. Nesses, dada a verdade das premissas, a conclusão provavelmente é verdadeira.
Considere então os seguintes argumentos:
[A]
Todo animal é mortal
Todo homem é animal
Logo, todo homem é mortal
[B]
Todos os cisnes até hoje observados são brancos
Jojô é um cisne
Logo, Jojô é branco
Com base na explicação dada, identifique qual dos dois argumentos, A ou B, é um argumento dedutivo. Justifique sua resposta.
UFRJ 2009: Foucault
Considere a reprodução abaixo, do quadro do pintor René Magritte intitulado A Traição das Imagens:
A tradução para o português do texto presente no quadro é: “Isto não é um cachimbo”.
Acerca do quadro de Magritte, o filósofo Michel Foucault teceu as seguintes considerações:
“Ora, o que produz a estranheza dessa figura não é a ‘contradição’ entre a imagem e o texto. Por uma boa razão: não poderia haver contradição a não ser entre dois enunciados, ou no interior de um único e mesmo enunciado.Ora, vejo bem aqui que há apenas um, e que ele não poderia ser contraditório, pois o sujeito da proposição é um simples demonstrativo. Falso, então, porque seu ‘referente’ – muito visivelmente um cachimbo – não o verifica?Mas quem me dirá seriamente que este conjunto de traços entrecruzados, sobre o texto, é um cachimbo? Será preciso dizer: meu Deus, como tudo isto é bobo e simples; este enunciado é perfeitamente verdadeiro, pois é bem evidente que o desenho representando um cachimbo não é, ele próprio, um cachimbo? E, entretanto, existe um hábito de linguagem: o que é este desenho? É um bezerro, é um quadrado, é uma flor. Velho hábito que não é desprovido de fundamento: pois toda função de um desenho tão esquemático, tão escolar quanto este é a de se fazer reconhecer, de deixar aparecer sem equívoco nem hesitação aquilo que ele representa”.
(FOUCAULT, Michel. Isto não é um cachimbo. Trad. de Jorge Coli, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p.19-20)
Com base no texto de Foucault, apresente uma razão que justifique afirmar:
a) Que o texto presente no quadro de Magritte é um enunciado verdadeiro.
b) Que o texto presente no quadro de Magritte é um enunciado falso.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Prova de Filosofia da UFMG
prova de filosofia da UFMG
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009 (sugestão)
- ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Livros VIII e IX. (Texto disponível na coleção Os pensadores)
- KANT. Immanuel.Crítica da razão pura. (Prefácio à 2ª Edição). (Texto disponível na coleção Os pensadores).
- NAGEL, Thomas. "Certo e errado". In: Uma breve introdução à filosofia. Tradução de Silvana Vieira. São Paulo: Martins Fontes,2001.
- SANTO AGOSTINHO. Confissões (Livro XI: O Homem e o Tempo). Tradução de J. Oliveria Santos & Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
- MILL, John Stuart. O Utilitarismo. (Capítulo II: O que é o Utilitarismo; Capítulo V: Da Relação entre Justiça e Utilidade). Tradução Alexandre Braga Massella. São Paulo: Iluminuras, 2000.
- WILLIAMS, Bernard. Moral: uma Introdução à Ética. (Capítulo intitulado Utilitarismo, pp. 137-165)Tradução de Remo Mannarino Filho. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
1a fase UEL 2009
As questões que mais explicitamente remetem a temática filosófica são as de número
1, 24, 25, 28, 29, 30, 31, 41, 42, 43, 44, 58
Gabarito UFU 2009/2 2a Fase
Gabarito Final com Distribuição dos Pontos - Questão 1 - FILOSOFIA
A questão obedece a distribuição de pontos abaixo:
a) o trecho se refere à via da verdade (ou via do ser, ou via do conhecimento, ou primeira via, ou via da aletheia, ou via do pensamento). Valor: 4,0 (quatro) pontos.
b) no trecho do Poema de Parmênides citado na questão, o candidato deve escolher e transcrever três adjetivos – de seis possíveis – vinculados à doutrina sobre o Ser do filósofo, quais sejam: “incriado”, “indestrutível”, “completo”, “imóvel”, “nãodivisível” (ou “indivisível”) e “análogo” (ou “todo análogo”). As explicações acerca
de cada um deles devem contemplar os seguintes elementos:
_ Incriado: o Ser não é criado porque o que É deve ser sempre. Ele é em sentido absoluto, sem que possamos atribuir-lhe um início, anterior ao que É. De fato, se teve um início, não pode ser, pois antes não era e teria que ser gerado pelo não-ser, o que é impossível.
_ Indestrutível: o que É nunca deixa de ser o que é.
_ Completo: o Ser é todo contínuo, que se basta e que é Ser, por igual, em toda a sua extensão. É idêntico a si mesmo e nada lhe falta.
_ Imóvel: o que É repousa em si mesmo. Nada o impele para fora de si, porque fora dele nada é. Ele está sempre em repouso e em equilíbrio, num todo inteiro e coeso.
_ Não divisível (ou indivisível): o Ser é uno, completamente idêntico a si mesmo, persistentemente fixo e indivisível. Só ele É e, portanto, nada poderia ser-lhe acrescido (o que o impediria de manter-se coeso), nem retirado (pois ele é todo pleno).
_ Análogo (ou todo análogo): o Ser é todo igual a si mesmo, em toda a sua extensão. Nada nele é diverso dele mesmo.
Valor: 12,0 (doze) pontos: 2,0 (três) pontos para cada adjetivo correto e 2,0 (dois) pontos para cada explicação correta.
Coerência, coesão, correção ortográfica. Valor: 4,0 (quatro) pontos.
Gabarito Final com Distribuição dos Pontos - Questão 2 - FILOSOFIA
A questão obedece a distribuição de pontos abaixo:
a) Guilherme de Baskerville defende a posição nominalista. Em sua fala, ele procura contradizer o realismo das essências expresso na fala de Adso (“o livro da natureza nos fala por meio de essências”), afirmando que as idéias que se usa para referir-se às coisas reais (o cavalo, p. ex.) bem como os sinais que nos remetem as essas idéias (os rastros na neve) são meros signos; ora, o nominalismo é a posição filosófica segundo a qual as idéias universais são apenas signos que usamos para referir-nos às coisas; as idéias universais não tem existência real.
A resposta certa “nominalismo” vale 4 (quatro) pontos. Se o aluno definir o nominalismo corretamente, destacando os dois elementos, “crítica do realismo das essências” e “uso das idéias como meros signos”, ganha mais 4 (quatro) pontos (2 pontos para cada parte da definição)
b) Trechos da fala de Guilherme que corroboram a sua posição nominalista podem ser usados como elementos de justificativa:
1) “as idéias eram puro signos”;
2) “usam-se signos e signos de signos quando nos fazem falta as coisas”;
3) “eram signos da idéia de cavalo as pegadas”;
4) Na fala de Adso: “o tinha escutado falar com ceticismo das idéias universais e com respeito pelas coisas individuais”.
Cada elemento (itens
Se o aluno responder errado o item A, a citação desses elementos valerá no máximo 4 (quatro) pontos.
Serão distribuídos 4 (quatro) pontos de acordo com a coerência argumentativa do texto, a correção ortográfica e a clareza de expressão.
Gabarito Final com Distribuição dos Pontos - Questão 3 - FILOSOFIA
A questão obedece a distribuição de pontos abaixo:
1) O texto refere-se sobretudo ao princípio de causalidade
Se na resposta figura a palavra “causalidade”, atribui-se 4 (quatro) pontos. Se, ao contrário, a resposta contiver “semelhança” ou “contigüidade”, atribui-se 1 (um) ponto.
2) A progressão do nosso conhecimento por inferência se funda sobre a experiência.
Se a resposta conter a palavra “experiência”, ou “hábito”, atribui-se 4 (quatro) pontos.
3) Segundo Hume, nosso conhecimento acerca das relações de causa e efeito é extraído da experiência. Nesse sentido, a pessoa que foi trazida de súbito a este mundo pode observar uma contínua sucessão de objetos empíricos, mas ela ainda não consegue inferir, a partir de um objeto percebido, o aparecimento de um outro, ou seja, mesmo que ela possua conhecimento a priori, eles são insuficientes para estabelecer relações de causa e efeito. A segunda pessoa, em virtude de aqui viver de longa data, já adquiriu a base da inferência, a qual é obtida mediante o hábito, ou seja, mediante a observação usual de seqüência de objetos empíricos. A partir do exercício dessa observação é que
ela denomina causa a um objeto percebido e designa como efeito o suposto objeto que a este sucederia.
Este item será avaliado em quatro partes:
a) À resposta que define ou comenta “experiência” ou “hábito” atribui-se 4 (quatro) pontos
b) Se a resposta indica “inferência” como critério de distinção entre as duas pessoas, atribui-se 2 (dois) pontos. Se a resposta contém algum sinônimo de inferência, como, por exemplo, associação, ou se contém idéia equivalente, atribui-se 1 (um) ponto.
c) Se a resposta faz referência explícita à diferença entre as duas pessoas, atribui-se 2 (dois) pontos.
d) À coerência na argumentação serão distribuídos 4 (quatro) pontos.
Gabarito Final com Distribuição dos Pontos - Questão 4 - FILOSOFIA
A questão obedece a distribuição de pontos abaixo:
a) “Moral de escravo”: este é um dos conceitos-chave do pensamento nietzschiano, conforme o programa do vestibular: “a moral do escravo é caracterizada pelo ódio dos impotentes”. (4 PONTOS)
b) Há mais de uma frase ou expressão que pode ser retirada do texto para responder a esta pergunta, seguem abaixo alguns exemplo:
1) “O cristianismo, por sua vez, esmagou e alquebrou completamente o homem, e o mergulhou como que em um profundo lamaçal”;
2) “[...] no sentimento de total abjeção, fazia brilhar de repente o esplendor de uma piedade divina”;
3) “[...] de tal modo que o surpreendido, atendido pela graça, lançava um grito de embevecimento e por um instante acreditava carregar o céu inteiro em si”. Observa-se, nesta frase, que o “surpreendido” é o fraco que se acredita forte por “carregar o céu inteiro dentro de si” (4 PONTOS)
c) O cristianismo, para Nietzsche, nega (4 PONTOS) o valor vida. Nesse sentido, nega igualmente tudo o que a ele se relaciona (saúde, criatividade, força). O objetivo de Nietzsche é revalorizar o equilíbrio entre as forças instintivas e vitais do homem que foram subjugadas pela filosofia socrático-platônica e pelas religiões. (4 PONTOS)
Mais 4 (quatro) pontos serão atribuídos pela argumentação, correção ortográfica e gramatical.
UFU 2009/2 2a Fase: Nietzsche
Leia atentamente o texto a seguir.
“O cristianismo, por sua vez, esmagou e alquebrou completamente o homem, e o
mergulhou como que em um profundo lamaçal: então, no sentimento de total abjeção, fazia brilhar de repente o esplendor de uma piedade divina, de tal modo que o surpreendido, atendido pela graça, lançava um grito de embevecimento e por um instante acreditava carregar o céu inteiro em si.”
NIETZSCHE, F. Humano, demasiado humano. Col. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 59.
Com base no texto de Nietzsche, responda as seguintes questões:
A) O cristianismo pode ser considerado “moral do escravo” ou “moral do senhor”?
B) Selecione uma frase do texto que apresenta a característica fundamental do cristianismo para Nietzsche.
C) Com base na frase selecionada, explique se, para Nietzsche, o cristianismo é uma doutrina que nega ou que valoriza a força, a saúde e a vida.
UFU 2009/2 2a Fase: Hume
TERCEIRA QUESTÃO
Leia atentamente o texto e responda as questões que se seguem.
“Suponha-se que seja trazida de súbito a este mundo uma pessoa [...]. É verdade que
ela observaria imediatamente uma contínua sucessão de objetos, e um acontecimento seguindo-se a outro, mas não conseguiria descobrir mais nada além disso. [...] Suponhamos agora que ela tenha adquirido mais experiência e vivido no mundo o bastante para observar que objetos ou acontecimentos semelhantes estão constantemente unidos uns aos outros. Qual é o resultado dessa experiência? O resultado é que essa pessoa passa a inferir imediatamente a existência de um objeto a partir do aparecimento do outro”.
HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Editora UNESP, 1999. p. 63-64.
A) O texto refere-se sobretudo a que princípio de associação de ideias: semelhança, contiguidade ou causalidade?
B) Segundo Hume, a progressão do nosso conhecimento por inferência se funda sobre a razão ou sobre a experiência?
C) A partir de suas respostas nas questões A e B, explique, do ponto de vista do que Hume denomina hábito, a diferença que o texto estabelece entre as duas pessoas hipotéticas: a que foi trazida de súbito para este mundo e a que aqui já vive de longa data.
UFU 2009/2 2a Fase: Filosofia Medieval, Nominalismo
Leia com atenção o seguinte diálogo, entre Adso de Melk e Guilherme de Baskerville, ersonagens do romance O nome da rosa, de Umberto Eco, cuja história se passa na Itália no final do ano de 1327.
Adso: “Porém, quando vós lestes as pegadas sobre a neve e nos ramos, ainda não conhecíeis (o cavalo) Brunello. De certo modo, os rastros nos falavam de todos os cavalos, ou pelo menos de todos os cavalos daquela espécie. Não devemos então dizer que o livro da natureza nos fala só por meio de essências, como afirmam admiráveis filósofos?”
(...)
Guilherme: “Só então soube que meu raciocínio anterior me levara para perto da verdade. De modo que as ideias, que eu usava antes para figurar-me um cavalo que ainda não tinha visto, eram puros signos, como eram signos da ideia de cavalo as pegadas (que vimos) sobre a neve: e usam-se signos e signos de signos apenas quando nos fazem falta as coisas”.
Adso (refletindo sobre o seu mestre Guilherme): “Outras vezes eu o tinha escutado falar com muito ceticismo das ideias universais e com grande respeito das coisas individuais: e depois parece que essa tendência ele a tivesse tanto por ser britânico como por ser franciscano”.
ECO, Umberto. O nome da rosa. Tradução de Aurora F. Bernardini e Homero F. de Andrade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983. p. 42-43.
O trecho em questão pode ser interpretado como uma reflexão sobre o problema dos universais na Idade Média.
Nesta famosa questão, destacam-se duas posições: o Realismo e o Nominalismo. Segundo o Realismo, os conceitos universais são entidades que existem por si e separadas das coisas individuais. Para o Nominalismo, ao contrário, os universais não passam de entidades ou signos mentais, sem existência real separada das coisas individuais.
Responda as seguintes questões.
A) Guilherme de Baskerville está defendendo a posição nominalista ou realista? Por quê?
B) Justifique sua resposta destacando elementos do trecho apresentado.
UFU 2009/2 2a Fase: Parmênides
PRIMEIRA QUESTÃO
Parmênides de Eléia apresenta,
Opinião).
Leia o texto abaixo e responda as questões que se seguem, com base na filosofia de Parmênides.
“Só um caminho de que falar nos restou, o É. Neste caminho estão numerosos indícios
de que o que É é incriado e indestrutível, pois é completo, imóvel. (...)
Nem é ele divisível, uma vez que é todo análogo e não existe mais dele em um lugar do
que em outro, para impedi-lo de manter-se unido, nem menos dele, mas tudo está repleto do
que é.” PARMÊNIDES, Poema In. DK, fragmento 8.
A) O trecho apresentado refere-se a qual das três vias de pesquisa propostas pelo filósofo?
B) Transcreva três adjetivos encontrados no trecho do Poema e explique-os, com base na doutrina do Ser de Parmênides.
UFU 2009/2: Gabarito
1 D
2 A
3 C
4 D
5 A
6 B
7 B
8 C
9 A
10 D
UFU 2009/2: Sartre
Leia o texto abaixo.
“A doutrina que lhes estou apresentando é justamente o contrário do quietismo, visto que
ela afirma: a realidade não existe a não ser na ação; aliás, vai longe ainda, acrescentando: o
homem nada mais é do que o seu projeto; só existe na medida em que se realiza; não é nada
além do conjunto de seus atos, nada mais que sua vida”.
SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987, Col. Os Pensadores. p. 13.
Tomando o texto acima como referência, assinale a alternativa correta.
A) A frase “a realidade não existe a não ser na ação” significa que é o homem aquele que cria toda a realidade possível e imaginável, que o homem é o ser que cria o mundo todo a partir de sua existência.
B) O existencialismo sartreano é uma espécie muito particular de quietismo, porque afirma que o homem é livre a partir do momento em que deixa a decisão sobre a própria existência nas mãos dos outros.
C) Quando Sartre afirma que o homem “nada mais é do que a sua vida”, ele está dizendo que todos são iguais na indeterminação de seus atos e que, portanto, é indiferente ser responsável ou não pelas ações praticadas.
D) O existencialismo de Sartre é o contrário do quietismo, porque defende que a vida humana é feita a partir das ações e escolhas que cada ser humano realiza juntamente com outros homens. A vida do homem é um projeto que se realiza em plena liberdade.
UFU 2009/2: Marx, Maquiavel, Hobbes, Rousseau
Leia atentamente o texto abaixo e assinale a alternativa que indica com qual teoria filosófica ele se relaciona.
“É possível afirmar que a sociedade se constitui a partir de condições materiais de produção e da divisão social do trabalho, que as mudanças históricas são determinadas pelas modificações naquelas condições materiais e naquela divisão do trabalho e que a consciência humana é determinada a pensar as idéias que pensa por causa das condições materiais instituídas pela sociedade.”
CHAUÍ, M. Filosofia. São Paulo: Ática, 2007. Este texto descreve
A) a concepção de Marx, que escreveu obras como Contribuição à Economia Política e O Capital.
B) a concepção de Nicolau Maquiavel, que escreveu, dentre outras obras, O Príncipe.
C) a concepção de Thomas Hobbes, autor do Leviatã.
D) a concepção de Jean Jacques Rousseau, autor de O Contrato Social.
UFU 2009/2: Hegel
A respeito do conceito de dialética, Hegel faz a seguinte afirmação:
“O interesse particular da paixão é, portanto, inseparável da participação do universal,
pois é também da atividade do particular e de sua negação que resulta o universal.”
HEGEL, G. W. F. Filosofia da História. 2. ed. Tradução de Maria
Rodrigues e Hans Harden. Brasília: Editora da UnB, 1998. p. 35.
Com base no pensamento de Hegel, assinale a alternativa correta.
A) O particular é irracional, por isso é a negação do universal, portanto, a História não é guiada pela Razão, mas se deixa conduzir pelo acaso cego dos acontecimentos que se sucedem sem nenhuma relação entre eles.
B) O universal é a somatória dos particulares, de modo que a História é tão só o acumulado ou o agregado das partes isoladas, e assim elas estão articuladas tal como engrenagens de uma grande máquina.
C) O particular da paixão é a ação dos indivíduos, sempre em oposição à finalidade da História, isto é, do universal da Razão que governa o mundo, mas esta depende da ação dos indivíduos, sem os quais ela não se manifesta.
D) O universal é a vontade divina que por intermédio da sua ação providente preserva os homens de todos os perigos, evitando que se desgastem com suas paixões, assim, o humano é preservado desde o seu surgimento na Terra.
UFU 2009/2: Hobbes
Leia o texto abaixo e assinale a alternativa correta.
“É evidente que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum que os
mantenha subjugados, eles se encontram naquela condição que é chamada de guerra; e essa
guerra é uma guerra de cada homem contra cada outro homem.”
Hobbes in BOBBIO, Norberto. Thomas Hobbes. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1991. p. 35.
A) Para Hobbes, a guerra é uma situação anterior ao estado de natureza.
B) Hobbes associa, em suas reflexões, a situação de guerra e o estado de natureza.
C) Um poder comum, segundo Hobbes, mantém os homens no estado de natureza.
D) Em Hobbes, a guerra de todos contra todos é compatível com um poder comum